quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
VENDER SONHOS: AS ESCOLHAS QUE PROPORCIONAM MUDANÇAS
RESUMO
Ao relatarem as mudanças de atitude, os aprendizados adquiridos, os objetivos traçados e alcançados com uma visão diferente do que fora até então ensinada, os autores transcendem o óbvio e direcionam a mente a novos horizontes. A importância do ser, aliada à coragem de aceitação do novo não colocando à sua frente obstáculos, mas oferecendo mecanismos para enfrentar o medo e vencê-lo. Assim é o Vendedor de Sonhos. Predestinado a ter sucesso como executivo, deixou de lado muitas coisas importantes: família, lazer, etc. Tinha tudo e perdeu tudo. No fundo do poço, abalado, abatido, destruído, teve forças para aceitar as mudanças e lutar em prol de sonhos. O que perdera foi também o que o motivou a ajudar àqueles que nem conhecia. Ele percebe que valorizar pessoas que o mundo deixou à margem da vida, dando a elas uma nova oportunidade, diminuiria o sofrimento causado pela perda. Da mesma forma é o livro Quem mexeu no meu Queijo. As mudanças existem e devem ser experimentadas constantemente, pois os ganhos, frutos delas, são altamente compensadores. Muitas pessoas, por medo, deixam de realizar os maiores sonhos da vida, outras deixam até de viver. Aceitar o novo mais cedo, perceber o que acontece ao redor é questão de sobrevivência. Ser motivado sempre, ter sonhos, objetivos, buscar constantemente um novo queijo, e, acima de qualquer coisa, não ter medo de fazer escolhas.
Palavras–chave: Mudança. Aprendizado. Sonhos. Escolhas.
INTRODUÇÃO
A vida é composta por inúmeros labirintos que nos levam a caminhos diferentes e cada um escolhe o caminho que acha ser o mais correto, porém, não se sabe ao certo o que encontrará ao final da jornada, mas as consequências obtidas ao final dessa caminhada são derivadas das escolhas feitas logo no primeiro passo.
Os labirintos são os caminhos a serem percorridos e os caminhos são as decisões tomadas em determinado momento, ou seja, optar por um emprego no exterior ou uma viagem em família, ou então demitir um funcionário ou dar a ele condições de aperfeiçoamento em seu trabalho oferecendo cursos de especialização, e cabe a cada um tomar a decisão que julgar ser a mais apropriada.
A arte da reinvenção deve ser levada a todo instante e a necessidade de fazê-la fica iminente quando surgem os obstáculos. Essa reinvenção ocorre através das mudanças de atitude, da constante busca de inovações, informações e aprender com essas mudanças acarretam sucesso pessoal que são refletidos na família, no trabalho, no ambiente com os amigos dentre outros.
A cada mudança ocorrida, a satisfação torna-se parte do conhecimento e surge, logo após, uma nova necessidade que trará novos desafios almejando outra satisfação, e, essa nova satisfação é, na verdade, uma nova motivação que o individuo terá para fazer novas escolhas.
VENDER SONHOS
Dentro de um mundo onde a globalização, o consumismo, o capitalismo nos força a seguir os passos do “progresso”, onde as escolhas feitas passam por cima do semelhante, é necessário dar uma oportunidade ao ser humano, mostrando que há novos caminhos, novas chances de reinventar sua história.
É importante entender que por maior que seja um problema, há formas de solucioná-los, basta ter motivação e ser perseverante. Assim foi o vendedor de sonhos, um homem que tinha tudo, muito sucesso, uma carreira promissora, obteve muitas conquistas, tinha uma vida financeira invejável, mas que por trabalhar demais se esquecia das pequenas coisas que são o diferencial, como a família, o lazer e o descanso. Ao perder sua família e amigos num trágico acidente, ele perde a razão de existir, e passa por um período de reflexão, sentindo-se culpado por ter deixado fatos tão importantes em segundo plano.
Após esse período, ele volta a sua razão e busca força nos seus próprios erros para ajudar outras pessoas que vivenciam situações parecidas, tentando assim, diminuir a culpa que sentia. Ensinar que as mudanças estão disponíveis a todos e que cada um, de um jeito especial, pode mudar o mundo, é melhor que estar entre os melhores rotulados pelos conceitos sociais. Nunca foi tão bom aprender com os próprios erros.
O mundo mostra que existem apenas alguns caminhos e que sucesso é a base para se viver bem, ser reconhecido pelos que a sociedade coloca no topo, segui-los e imitá-los vende a ideia de ser do mesmo nível que eles, mas se libertar desses conceitos é a melhor forma de obter reconhecimento, e este vem das pequenas coisas que se faz.
As escolhas são primordiais para alcançar o sucesso, e abrir mão de coisas que se julgam essenciais para dar importância aos outros deixa a vida mais simples, é uma constante aventura e os objetivos se tornam mais gratificantes.
É preciso vender sonhos, apresentar novas perspectivas de mudanças, mostrar que ajudar o próximo é uma forma de desenvolvimento pessoal. E conforme mostrado no livro Quem Mexeu no Meu Queijo, não se pode ter resistência às mudanças, é preciso se adaptar a elas para progredir, pois não se adequando, a vida entra numa rotina e torna-se mais difícil de ser vivida em decorrência das inúmeras transformações pelas quais o mundo passa deixando o indivíduo parado no tempo.
Muitas vezes por medo de fazer escolhas erradas, deixa-se de arriscar, assim, perde-se a chance de conquistar novos aprendizados e adquirir novas conquistas.
Vender sonhos é mostrar ao mundo que é preciso focar o lado positivo das coisas e deixar os fatos drásticos de lado, pois na maioria das vezes o que acontece é que as pessoas só se lembram das experiências ruins e assim se frustram, sentindo-se impedidas de alcançar coisas novas.
Vale também lembrar que junto ao sucesso deve caminhar a humildade, e nunca a soberba. Não se deve deixar o poder em maior destaque que a razão. Como há muito tempo já dizia Maquiavel, ao delegar poder a um homem, se veria sua verdadeira face. Assim é preciso ter um controle de suas atitudes, reconhecendo com humildade que, para ser um bom líder, não é preciso exercer autoridade utilizando o poder de coerção sobre os demais, basta influenciá-los com seu próprio carisma, mostrando que são essenciais no desempenho de seu papel como líder.
Acreditar nos conceitos que o mundo rotula como essenciais, que condiciona as pessoas a serem aceitas na sociedade, é uma forma de mutilação, pois para ser aceito no meio, deve-se seguir as tendências que a mídia prega como padrão de aceitação, deixando de lado o ser para viver o ter. As mulheres, por exemplo, acabam adquirindo doenças como anorexia ou bulimia, na busca incessante por corpos “perfeitos”, e se esquecem do intelectual. Pessoas gastam abusivamente sem necessidade, só para consumir os bens que estão na moda, para se sentirem aceitas, reforçando assim a teoria de Maquiavel que diz que “os fins justificam os meios”.
A busca pelo avanço tecnológico destaca ainda mais o abandono social, pois enquanto se investem valores absurdos nas pesquisas tecnológicas, o valor de investimento nas pessoas é irrisório. O potencial de milhares de máquinas interligadas em conjunto não se assemelha ao potencial de uma criança com pouca instrução. Mas vale lembrar que o futuro da humanidade não está nas máquinas criadas, e sim nas crianças.
Assim sendo, é preciso lutar pelos sonhos, arriscar o novo, admitir mudanças, deixar de lado o medo e procurar reinventar-se a cada instante, buscando maior qualidade de vida, não se esquecendo de admitir os próprios erros, e tirar deles forças para influenciar mudanças na vida de outras pessoas, enfatizando sempre que as pequenas coisas fazem a diferença, traduzem as grandes conquistas e levam à satisfação pessoal.
CONCLUSÃO
Ao analisar as condições de vida que a sociedade relaciona como ideais para fazer parte dela, entende-se o porquê de tanta desigualdade e destruição. As pessoas são cada dia menos valorizadas, suas atitudes parecem insignificantes frente ao mundo consumista que prega a repetição das coisas, ou seja, apenas serem cópias dos que não fazem nada, aceitando o que está determinado e não acrescentando nenhum valor a isso.
A proposta de mudança de atitude, de foco, de objetivos, onde valorizar o homem é garantia de reconhecimento e sucesso, torna as pessoas mais criativas, proporcionam novos horizontes, vislumbram um mundo diferente e assim, se aceitam como parte importante do mundo, capaz de mudar conceitos, aceitar perdas, aprender com os erros e não se vangloriar com as vitórias, mas compartilhá-las com os outros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CURY, Augusto. O Vendedor de Sonhos: O Chamado. São Paulo, Academia de Inteligência, 2008.
JOHNSON, Spencer. Quem Mexeu no Meu Queijo?. 65. ed. Rio de Janeiro, Record, 2010.
JÚLIO, Carlos Alberto. Reinventando Você: A Dinâmica dos Profissionais e a Nova Organização. Rio de Janeiro, Elservier, 2009.
OLIVEIRA, Andréia Magalhães de; PINHEIRO, José Walber Borges. Metodologia: A Arte de Escrever um Trabalho Científico. Goiânia, Kelps, 2010.
Edson Noronha Brandão
Eliakim Lima de Oliveira
Eliane Lima Oliveira Brandão
terça-feira, 30 de novembro de 2010
O segredo dos campeões
Executivos que foram atletas profissionais revelam como a experiência esportiva ajuda a obter alto desempenho na carreira.
O esporte ensina competir, treinar arduamente, sofrer com as derrotas, superar os maus resultados. Essas experiências têm um impacto profundo na formação de uma pessoa. Quando era jovem, o escritor Albert Camus, autor do romance O Estrangeiro (1942), foi goleiro de um time de futebol na Argélia, onde nasceu. Anos mais tarde, já premiado com o Nobel de Literatura, ao ser entrevistado por uma revista esportiva, Camus deu a seguinte declaração: "O que sei sobre moralidade e deveres do homem eu devo ao esporte".
O mundo corporativo também está repleto de imagens e expressões que remetem ao esporte. A relação entre esporte e vida profissional despertou a curiosidade do headhunter americano James Citrin, conselheiro da Spencer Stuart, uma das maiores firmas de seleção de executivos do mundo. Movido pela ideia de entender o que atletas de alto desempenho poderiam ensinar a outros profissionais, James entrevistou 50 esportistas de sucesso, do ciclista Lance Armstrong ao esqueitista Tony Hawk. Suas descobertas estão no livro The Dynamic Path ("O caminho dinâmico", em português).
A principal constatação de James é que os atletas de alto desempenho possuem uma habilidade que ele denominou de dureza mental, que permite a eles ter sucesso nos momentos críticos — como fazer uma cesta no último segundo de um jogo de basquete. Essa competência pode ser aprendida. Para isso, escreve o caça-talentos, o profissional precisa saber como funcionam sua mente e suas emoções. Em outras palavras, a pessoa precisa se conhecer.
E, claro, precisa praticar continuamente uma determinada situação, como se fosse um treino, até dominá-la por completo. Em seu estudo, James foi um passo adiante. Ele procurou entender por que existem ex-campeões que, após encerrar a carreira de atleta, prosperam também em outras atividades. São os profissionais que encontram o tal caminho dinâmico, na verdade, um comportamento permanente de buscar o crescimento pessoal. Em seu livro, James cita casos como o do ex-jogador de futebol americano Roger Staubach, que após uma carreira no Dallas Cowboys criou uma imobiliária que faturava 120 milhões de dólares em 2008, quando foi vendida para a Jonas Lang La Salle. Ou o senador democrata Bill Bradley, que construiu a carreira política após ganhar a medalha de ouro olímpica pela seleção de basquete e passar mais de dez anos como jogador do New York Knicks.
E, claro, precisa praticar continuamente uma determinada situação, como se fosse um treino, até dominá-la por completo. Em seu estudo, James foi um passo adiante. Ele procurou entender por que existem ex-campeões que, após encerrar a carreira de atleta, prosperam também em outras atividades. São os profissionais que encontram o tal caminho dinâmico, na verdade, um comportamento permanente de buscar o crescimento pessoal. Em seu livro, James cita casos como o do ex-jogador de futebol americano Roger Staubach, que após uma carreira no Dallas Cowboys criou uma imobiliária que faturava 120 milhões de dólares em 2008, quando foi vendida para a Jonas Lang La Salle. Ou o senador democrata Bill Bradley, que construiu a carreira política após ganhar a medalha de ouro olímpica pela seleção de basquete e passar mais de dez anos como jogador do New York Knicks.
No Brasil também há casos de profissionais que repetiram na carreira executiva o sucesso que obtiveram nas piscinas, quadras ou pistas. Jorge Paulo Lemann, um dos donos da ABInBev, foi pentacampeão brasileiro de tênis. Também tenista, Luiz Mattar, hoje presidente da Tivit, foi 29o colocado no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP). A seguir, quatro ex-atletas profissionais, hoje executivos bem-sucedidos, revelam como aplicam na vida corporativa o aprendizado que tiveram no esporte.
ARTILHEIRO VENDEDOR
À frente da diretoria comercial da Contax, umas das principais empresas de call center do país, com quase 100 000 funcionários, o engenheiro carioca Luís Guilherme Prates, de 42 anos, tem uma equipe de seis gerentes. Jogar em um time de sete pessoas, contando ele, o faz lembrar dos tempos em que era atacante do Flamengo e da seleção brasileira de polo aquático, pela qual foi bicampeão sul-americano adulto. Luís Guilherme abandonou a carreira de atleta no auge, em 1991, quando tinha 23 anos. Tinha a opção de ir jogar na Europa, mas preferiu ser trainee na Brahma. Eu queria ser um profissional de marketing e vendas, diz.
Para fazer carreira nessa área, o esporte lhe rendeu um grande aprendizado: a automotivação. Competir em alto nível, diz Luís Guilherme, faz com que o profissional aprenda a lidar com a frustração da derrota e a se restabelecer emocionalmente após sofrer um viés. O atleta profissional tem altas doses de inconformismo, diz Luís Guilherme. Você não conquista nada se não continuar acreditando que dá para vencer a próxima. Para quem trabalha na área de vendas, isso é um componente fundamental. A obrigação de vencer na piscina ensinou Luís Guilherme a lidar com a pressão do mundo executivo.
"Em vez de técnico, time e torcida, entram clientes e acionistas. Minha responsabilidade hoje é enorme, mas eu sei administrar. Outro aprendizado importante foi trabalhar em qualquer condição. Quando um companheiro de time se machuca, sua obrigação de vencer não diminui", diz. Homem de vendas, Luís Guilherme lembra que todo mundo que fez esporte aprende a valorizar uma oportunidade e a lutar ao máximo para aproveitála. Todo mundo foi reserva e sabe.
quanto vale ser chamado pelo técnico. No mundo das empresas, você luta pela oportunidade dessa maneira.
Murilo Ohl – matéria da revista você s.a dia 5/01/2010
A sabedoria dos clássicos
Estimulado por Renato Ferreira, meu colega da FGV de São Paulo e um dos grandes professores da nova geração, tenho me dedicado a ler livros de contos e poesias na busca de explicações mais amplas para os grandes dilemas comportamentais que acontecem nas empresas e, principalmente, para poder orientar os profissionais em suas carreiras.
De tempos em tempos, sinto que tenho de interromper a leitura de livros específicos de negócios e procurar na grande literatura uma inspiração mais abrangente. Recomendo que você também faça isso de vez em quando.
Por causa desse hábito não fiquei surpreso quando Manfred de Vries, professor do Insead, escola francesa de negócios, que esteve aqui em São Paulo recentemente, disse em sua palestra: "Tudo o que você quiser saber sobre liderança está nas obras de Shakespeare". Na FGV, Renato Ferreira trabalha conceitos de liderança usando trechos do filme Henrique V, baseado na obra do autor inglês.
De tempos em tempos, sinto que tenho de interromper a leitura de livros específicos de negócios e procurar na grande literatura uma inspiração mais abrangente. Recomendo que você também faça isso de vez em quando.
Por causa desse hábito não fiquei surpreso quando Manfred de Vries, professor do Insead, escola francesa de negócios, que esteve aqui em São Paulo recentemente, disse em sua palestra: "Tudo o que você quiser saber sobre liderança está nas obras de Shakespeare". Na FGV, Renato Ferreira trabalha conceitos de liderança usando trechos do filme Henrique V, baseado na obra do autor inglês.
A melhor orientação profissional se encontra na literatura
Falando de Shakespeare, eu gosto de uma frase dele: "Que tuas palavras ilustrem teu comportamento e teu comportamento, tuas palavras". Nessa minha busca de inspiração, um colega de colégio e de engenharia, Bruno Concone, me recomendou a obra de Mario Benedetti, um dos maiores escritores uruguaios, que morreu no ano passado, aos 78 anos, e publicou muitos contos e poesias. Num trecho maravilhoso ele diz: "Impossível ganhar sem saber perder / impossível andar sem saber cair / impossível acertar sem saber errar / impossível viver sem saber reviver". É isso.
Falando de Shakespeare, eu gosto de uma frase dele: "Que tuas palavras ilustrem teu comportamento e teu comportamento, tuas palavras". Nessa minha busca de inspiração, um colega de colégio e de engenharia, Bruno Concone, me recomendou a obra de Mario Benedetti, um dos maiores escritores uruguaios, que morreu no ano passado, aos 78 anos, e publicou muitos contos e poesias. Num trecho maravilhoso ele diz: "Impossível ganhar sem saber perder / impossível andar sem saber cair / impossível acertar sem saber errar / impossível viver sem saber reviver". É isso.
É assim que se constrói uma carreira. São esses simples ensinamentos cheios de sabedoria, presentes nos bons livros, que servem de orientação em qualquer momento. E o que mais me chama a atenção é o fato de saber reviver, é saber contar sua história, é saber falar de sua biografia, orgulhando-se dos seus feitos, marcando suas realizações, mas sabendo que, para ganhar algumas vezes, você perdeu e que, na tentativa de acertar algumas vezes, você cometeu erros. Lembre-se sempre disso. E boa leitura.
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Panelli Motta Cabrera e membro do Advisory Board da Amrop International
Artigo da revista VOCÊ S.A do 04/08/2020
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