Executivos que foram atletas profissionais revelam como a experiência esportiva ajuda a obter alto desempenho na carreira.
O esporte ensina competir, treinar arduamente, sofrer com as derrotas, superar os maus resultados. Essas experiências têm um impacto profundo na formação de uma pessoa. Quando era jovem, o escritor Albert Camus, autor do romance O Estrangeiro (1942), foi goleiro de um time de futebol na Argélia, onde nasceu. Anos mais tarde, já premiado com o Nobel de Literatura, ao ser entrevistado por uma revista esportiva, Camus deu a seguinte declaração: "O que sei sobre moralidade e deveres do homem eu devo ao esporte".
O mundo corporativo também está repleto de imagens e expressões que remetem ao esporte. A relação entre esporte e vida profissional despertou a curiosidade do headhunter americano James Citrin, conselheiro da Spencer Stuart, uma das maiores firmas de seleção de executivos do mundo. Movido pela ideia de entender o que atletas de alto desempenho poderiam ensinar a outros profissionais, James entrevistou 50 esportistas de sucesso, do ciclista Lance Armstrong ao esqueitista Tony Hawk. Suas descobertas estão no livro The Dynamic Path ("O caminho dinâmico", em português).
A principal constatação de James é que os atletas de alto desempenho possuem uma habilidade que ele denominou de dureza mental, que permite a eles ter sucesso nos momentos críticos — como fazer uma cesta no último segundo de um jogo de basquete. Essa competência pode ser aprendida. Para isso, escreve o caça-talentos, o profissional precisa saber como funcionam sua mente e suas emoções. Em outras palavras, a pessoa precisa se conhecer.
E, claro, precisa praticar continuamente uma determinada situação, como se fosse um treino, até dominá-la por completo. Em seu estudo, James foi um passo adiante. Ele procurou entender por que existem ex-campeões que, após encerrar a carreira de atleta, prosperam também em outras atividades. São os profissionais que encontram o tal caminho dinâmico, na verdade, um comportamento permanente de buscar o crescimento pessoal. Em seu livro, James cita casos como o do ex-jogador de futebol americano Roger Staubach, que após uma carreira no Dallas Cowboys criou uma imobiliária que faturava 120 milhões de dólares em 2008, quando foi vendida para a Jonas Lang La Salle. Ou o senador democrata Bill Bradley, que construiu a carreira política após ganhar a medalha de ouro olímpica pela seleção de basquete e passar mais de dez anos como jogador do New York Knicks.
E, claro, precisa praticar continuamente uma determinada situação, como se fosse um treino, até dominá-la por completo. Em seu estudo, James foi um passo adiante. Ele procurou entender por que existem ex-campeões que, após encerrar a carreira de atleta, prosperam também em outras atividades. São os profissionais que encontram o tal caminho dinâmico, na verdade, um comportamento permanente de buscar o crescimento pessoal. Em seu livro, James cita casos como o do ex-jogador de futebol americano Roger Staubach, que após uma carreira no Dallas Cowboys criou uma imobiliária que faturava 120 milhões de dólares em 2008, quando foi vendida para a Jonas Lang La Salle. Ou o senador democrata Bill Bradley, que construiu a carreira política após ganhar a medalha de ouro olímpica pela seleção de basquete e passar mais de dez anos como jogador do New York Knicks.
No Brasil também há casos de profissionais que repetiram na carreira executiva o sucesso que obtiveram nas piscinas, quadras ou pistas. Jorge Paulo Lemann, um dos donos da ABInBev, foi pentacampeão brasileiro de tênis. Também tenista, Luiz Mattar, hoje presidente da Tivit, foi 29o colocado no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP). A seguir, quatro ex-atletas profissionais, hoje executivos bem-sucedidos, revelam como aplicam na vida corporativa o aprendizado que tiveram no esporte.
ARTILHEIRO VENDEDOR
À frente da diretoria comercial da Contax, umas das principais empresas de call center do país, com quase 100 000 funcionários, o engenheiro carioca Luís Guilherme Prates, de 42 anos, tem uma equipe de seis gerentes. Jogar em um time de sete pessoas, contando ele, o faz lembrar dos tempos em que era atacante do Flamengo e da seleção brasileira de polo aquático, pela qual foi bicampeão sul-americano adulto. Luís Guilherme abandonou a carreira de atleta no auge, em 1991, quando tinha 23 anos. Tinha a opção de ir jogar na Europa, mas preferiu ser trainee na Brahma. Eu queria ser um profissional de marketing e vendas, diz.
Para fazer carreira nessa área, o esporte lhe rendeu um grande aprendizado: a automotivação. Competir em alto nível, diz Luís Guilherme, faz com que o profissional aprenda a lidar com a frustração da derrota e a se restabelecer emocionalmente após sofrer um viés. O atleta profissional tem altas doses de inconformismo, diz Luís Guilherme. Você não conquista nada se não continuar acreditando que dá para vencer a próxima. Para quem trabalha na área de vendas, isso é um componente fundamental. A obrigação de vencer na piscina ensinou Luís Guilherme a lidar com a pressão do mundo executivo.
"Em vez de técnico, time e torcida, entram clientes e acionistas. Minha responsabilidade hoje é enorme, mas eu sei administrar. Outro aprendizado importante foi trabalhar em qualquer condição. Quando um companheiro de time se machuca, sua obrigação de vencer não diminui", diz. Homem de vendas, Luís Guilherme lembra que todo mundo que fez esporte aprende a valorizar uma oportunidade e a lutar ao máximo para aproveitála. Todo mundo foi reserva e sabe.
quanto vale ser chamado pelo técnico. No mundo das empresas, você luta pela oportunidade dessa maneira.
Murilo Ohl – matéria da revista você s.a dia 5/01/2010


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