terça-feira, 30 de novembro de 2010

O segredo dos campeões

Executivos que foram atletas profissionais revelam como a experiência esportiva ajuda a obter alto desempenho na carreira.

   O esporte ensina competir, treinar arduamente, sofrer com as derrotas, superar os maus resultados. Essas experiências têm um impacto profundo na formação de uma pessoa. Quando era jovem, o escritor Albert Camus, autor do romance O Estrangeiro (1942), foi goleiro de um time de futebol na Argélia, onde nasceu. Anos mais tarde, já premiado com o Nobel de Literatura, ao ser entrevistado por uma revista esportiva, Camus deu a seguinte declaração: "O que sei sobre moralidade e deveres do homem eu devo ao esporte". 
O mundo corporativo também está repleto de imagens e expressões que remetem ao esporte. A relação entre esporte e vida profissional despertou a curiosidade do headhunter americano James Citrin, conselheiro da Spencer Stuart, uma das maiores firmas de seleção de executivos do mundo. Movido pela ideia de entender o que atletas de alto desempenho poderiam ensinar a outros profissionais, James entrevistou 50 esportistas de sucesso, do ciclista Lance Armstrong ao esqueitista Tony Hawk. Suas descobertas estão no livro The Dynamic Path ("O caminho dinâmico", em português).
A principal constatação de James é que os atletas de alto desempenho possuem uma habilidade que ele denominou de dureza mental, que permite a eles ter sucesso nos momentos críticos — como fazer uma cesta no último segundo de um jogo de basquete. Essa competência pode ser aprendida. Para isso, escreve o caça-talentos, o profissional precisa saber como funcionam sua mente e suas emoções. Em outras palavras, a pessoa precisa se conhecer.

E, claro, precisa praticar continuamente uma determinada situação, como se fosse um treino, até dominá-la por completo. Em seu estudo, James foi um passo adiante. Ele procurou entender por que existem ex-campeões que, após encerrar a carreira de atleta, prosperam também em outras atividades. São os profissionais que encontram o tal caminho dinâmico, na verdade, um comportamento permanente de buscar o crescimento pessoal. Em seu livro, James cita casos como o do ex-jogador de futebol americano Roger Staubach, que após uma carreira no Dallas Cowboys criou uma imobiliária que faturava 120 milhões de dólares em 2008, quando foi vendida para a Jonas Lang La Salle. Ou o senador democrata Bill Bradley, que construiu a carreira política após ganhar a medalha de ouro olímpica pela seleção de basquete e passar mais de dez anos como jogador do New York Knicks.
No Brasil também há casos de profissionais que repetiram na carreira executiva o sucesso que obtiveram nas piscinas, quadras ou pistas. Jorge Paulo Lemann, um dos donos da ABInBev, foi pentacampeão brasileiro de tênis. Também tenista, Luiz Mattar, hoje presidente da Tivit, foi 29o colocado no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP). A seguir, quatro ex-atletas profissionais, hoje executivos bem-sucedidos, revelam como aplicam na vida corporativa o aprendizado que tiveram no esporte.

 

ARTILHEIRO VENDEDOR

À frente da diretoria comercial da Contax, umas das principais empresas de call center do país, com quase 100 000 funcionários, o engenheiro carioca Luís Guilherme Prates, de 42 anos, tem uma equipe de seis gerentes. Jogar em um time de sete pessoas, contando ele, o faz lembrar dos tempos em que era atacante do Flamengo e da seleção brasileira de polo aquático, pela qual foi bicampeão sul-americano adulto. Luís Guilherme abandonou a carreira de atleta no auge, em 1991, quando tinha 23 anos. Tinha a opção de ir jogar na Europa, mas preferiu ser trainee na Brahma. Eu queria ser um profissional de marketing e vendas, diz.

Para fazer carreira nessa área, o esporte lhe rendeu um grande aprendizado: a automotivação. Competir em alto nível, diz Luís Guilherme, faz com que o profissional aprenda a lidar com a frustração da derrota e a se restabelecer emocionalmente após sofrer um viés.
O atleta profissional tem altas doses de inconformismo, diz Luís Guilherme. Você não conquista nada se não continuar acreditando que dá para vencer a próxima. Para quem trabalha na área de vendas, isso é um componente fundamental. A obrigação de vencer na piscina ensinou Luís Guilherme a lidar com a pressão do mundo executivo.

"Em vez de técnico, time e torcida, entram clientes e acionistas.
Minha responsabilidade hoje é enorme, mas eu sei administrar. Outro aprendizado importante foi trabalhar em qualquer condição. Quando um companheiro de time se machuca, sua obrigação de vencer não diminui", diz. Homem de vendas, Luís Guilherme lembra que todo mundo que fez esporte aprende a valorizar uma oportunidade e a lutar ao máximo para aproveitála. Todo mundo foi reserva e sabe.
quanto vale ser chamado pelo técnico. No mundo das empresas, você luta pela oportunidade dessa maneira.




Murilo Ohl – matéria da revista você s.a dia 5/01/2010

 

A sabedoria dos clássicos


Estimulado por Renato Ferreira, meu colega da FGV de São Paulo e um dos grandes professores da nova geração, tenho me dedicado a ler livros de contos e poesias na busca de explicações mais amplas para os grandes dilemas comportamentais que acontecem nas empresas e, principalmente, para poder orientar os profissionais em suas carreiras.

De tempos em tempos, sinto que tenho de interromper a leitura de livros específicos de negócios e procurar na grande literatura uma inspiração mais abrangente. Recomendo que você também faça isso de vez em quando.

Por causa desse hábito não fiquei surpreso quando Manfred de Vries, professor do Insead, escola francesa de negócios, que esteve aqui em São Paulo recentemente, disse em sua palestra: "Tudo o que você quiser saber sobre liderança está nas obras de Shakespeare". Na FGV, Renato Ferreira trabalha conceitos de liderança usando trechos do filme Henrique V, baseado na obra do autor inglês.
A melhor orientação profissional se encontra na literatura

Falando de Shakespeare, eu gosto de uma frase dele: "Que tuas palavras ilustrem teu comportamento e teu comportamento, tuas palavras". Nessa minha busca de inspiração, um colega de colégio e de engenharia, Bruno Concone, me recomendou a obra de Mario Benedetti, um dos maiores escritores uruguaios, que morreu no ano passado, aos 78 anos, e publicou muitos contos e poesias. Num trecho maravilhoso ele diz: "Impossível ganhar sem saber perder / impossível andar sem saber cair / impossível acertar sem saber errar / impossível viver sem saber reviver". É isso.
É assim que se constrói uma carreira. São esses simples ensinamentos cheios de sabedoria, presentes nos bons livros, que servem de orientação em qualquer momento. E o que mais me chama a atenção é o fato de saber reviver, é saber contar sua história, é saber falar de sua biografia, orgulhando-se dos seus feitos, marcando suas realizações, mas sabendo que, para ganhar algumas vezes, você perdeu e que, na tentativa de acertar algumas vezes, você cometeu erros. Lembre-se sempre disso. E boa leitura.
Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Panelli Motta Cabrera e membro do Advisory Board da Amrop International



 Artigo da revista VOCÊ S.A do 04/08/2020

A Riqueza da Administração - Frederico Luis

A Riqueza da Administração

Frederico Luis Domingues Bittencourt*

Administrar é inerente ao próprio ato de viver. Todas as pessoas exercitam os métodos e princípios trazidos pelas Teorias da Administração, pois não há quem consiga realizar atividades ao longo de uma vida sem que se utilize de organização, planejamento, direção e controle. Em razão das grandes possibilidades de mercado para o profissional da Administração, essa profissão estabelece-se no cenário profissional e social, afirmando-se cada vez mais como conjunto de atividades fundamentais para a continuidade das organizações e instituições públicas e privadas.
Prova da presença maciça e da necessidade imperiosa da Administração nas relações humanas é que Fayol (1990), um dos pais da teoria administrativa, preconizou que o ensino da administração fosse feito desde as escolas primárias até o ensino superior; defendendo a aplicabilidade desses conhecimentos não somente em empresas, mas na vida.
Essa arte de gerir e conduzir processos, em todas as circunstâncias e áreas, sempre esteve atrelada à existência humana, desde os tempos mais remotos. As pesquisas registram traços da arte de administrar no ano 5.000 a.C., na Suméria. Também existem evidencias do tipo no Egito antigo e, no caso da China de 500 a.C, a necessidade de adotar um sistema organizado de governo para o império com as Regras de Administração Pública de Confúcio exemplificam a tentativa de definir regras e princípios de administração.
Apontam-se, ainda, outras raízes históricas, tais como as instituições otomanas, pela forma como eram administrados seus grandes feudos; os prelados católicos, já na Idade Média, destacando-se como administradores natos; o aparecimento de um grupo de professores e administradores públicos na Alemanha e na Áustria, chamados de fiscalistas ou cameralistas, no período de 1550 a 1700; os mercantilistas ou fisiocratas franceses, que valorizavam a riqueza material e o Estado, pois ao lado das reformas fiscais reivindicavam uma administração sistemática, especialmente no setor público.
O fenômeno que provocou o aparecimento da empresa e da moderna administração ocorreu no final do século XVIII e se estendeu ao longo do século XIX, chegando ao limiar do século XX. Esse fenômeno, que trouxe rápidas e profundas mudanças econômicas, sociais e políticas, chamou-se Revolução Industrial. Foi a revolução das novas fontes energéticas, como o carvão, a eletricidade e os derivados do petróleo. Também foi a revolução de um modelo econômico, de um modo de produção que, ao se constatar a exploração em massa de trabalhadores, marcou também, desde então, uma nova etapa da luta pelos direitos trabalhistas.
A moderna administração surgiu em resposta a duas consequências provocadas pela Revolução Industrial: a) crescimento acelerado e desorganizado das empresas que passaram a exigir uma administração científica capaz de substituir o empirismo e a improvisação; b) necessidade de maior eficiência e produtividade das empresas, para fazer face à intensa concorrência e competição no mercado.
Atualmente, cerca de 3/4 dos cargos de gerência em empresas brasileiras são ocupados por administradores. Mas esse número pode ser maior, na medida em que se torne requisito para a investidura em cargos de gestão pública e privada a exigência do Curso de Administração. A profissão tem se desenvolvido a cada ano, com o crescente reconhecimento da sociedade, ampliando a capacidade de gestão das organizações com a inclusão das novas ferramentas trazidas pela globalização. Nessa busca constante por conhecimento, estratégias criativas e otimização de resultados, a profissão de Administrador completará, em setembro deste ano de 2009, quarenta e quatro anos no Brasil (comemoração consagrada pela Resolução CFA nº 65/1968, onde se estabelece o dia 09 de setembro como Dia do Administrador), confirmando e solidificando a sua importância dentro do mercado brasileiro. Esse marco histórico é balizado com a promulgação da Lei nº 4.769, de 09 de setembro de 1965, que regulamenta a profissão de Administrador no nosso país, também denominada “Lei de Regência da Profissão”, cujo Regulamento foi aprovado pelo Decreto nº. 61.934, de 22 de dezembro de 1967.         Outro ponto importante para a consolidação da profissão diz respeito à formação acadêmica do Administrador, quando em 2005 o Ministério da Educação (MEC) homologou as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Bacharelado em Administração (Resolução CNE/CES nº. 1, de 02/02/2004). Esse fato contribuiu para uniformizar as matrizes ou grades dos cursos de Administração de todo o país, além de garantir critérios bem definidos na busca de uma formação acadêmica com mais qualidade e completude, dado o universo eclético na formação do Administrador. Um exemplo dessa “uniformização” refere-se à nomenclatura do curso, que passou tão-somente a se chamar “curso de Bacharelado em Administração” com o fito de conter a descaracterização dos cursos correlatos à ciência da Administração. O ensino de Administração acompanha o franco desenvolvimento da profissão, prova disso são os cursos de pós-gradução, lato e stricto sensu, e de extensão criados e em fase de estruturação em todo o país.
Além da legislação federal citada acima, o exercício da profissão de Administrador deve seguir os parâmetros e determinações do Código de Ética, atualmente regulamentado pela Resolução CFA nº. 353/2008. O Código de Ética tem a finalidade de prover e orientar o profissional quanto aos seus direitos e deveres, assegurando o compromisso do Administrador aos ditames da moral e do respeito à sociedade. Em caso de descumprimento às normas de ética profissional, a competência para processar e julgar os casos dessa natureza cabe aos Conselhos Regionais e ao Conselho Federal que funcionam, respectivamente, como Tribunais Regionais e Tribunal Superior de Ética.
Os campos de atuação profissional do Administrador perpassam os seguintes nichos (In: Manual do Administrador, 2005, p. 26-28): 01) Administração financeira; 02) Administração de materiais; 03) Administração de Materiais/Logística; 03) Administração Mercadológica/Marketing; 04) Administração da Produção; 05) Administração e Seleção de Pessoal/Recursos Humanos; 06) Relações Industriais; 07) Orçamento; 08) Organização, Sistemas e Métodos e Programas de Trabalho. Além dessa enumeração, existem outros campos ou atividades conexas, tais como administração de consórcio, administração de comércio exterior, administração de cooperativas, administração hospitalar, administração de bens, administração de condomínios, administração de imóveis, administração de processamento de dados/informática, administração rural, administração hoteleira, factoring, holding, serviços de fornecimento e locação de mão-de-obra e, finalmente, turismo. Em toda essa extensa gama de atuação, o Administrador firma laudos, pareceres e relatórios referentes a avaliações, vistorias, assessorias, consultorias, arbitragens, auditorias e perícias judiciais e extrajudiciais; prepara planejamentos, programas, planos, anteprojetos e projetos; faz pesquisas, estudos, análises e interpretação; elabora documentos de caráter técnico que integram processos licitatórios; providencia anúncios publicitários relativos à oferta de trabalhos técnicos de profissionais, em órgão de divulgação ou em qualquer tipo de propaganda, bem como publicações, inclusive em diários e periódicos de divulgação específica ou ordinária; e, ainda, pode redigir livros, monografias, teses, artigos ou outros documentos dessa natureza.
Dessa breve exposição quanto ao campo de atuação do Bacharel em Administração, bem como da evolução da histórica da profissão, evidencia-se o quanto é promissora a carreira, pois esse profissional pode ser absorvido em praticamente todos os segmentos da engrenagem que movimenta a sociedade, o que ainda mais ressalta o caráter imprescindível desse ator no corpo social.

* advogado e professor dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Faculdade Araguaia em Goiânia-Go.




Artigo publicado no dia 29 de agosto de 2009, no Jornal Diário da Manhã.

Curriculo - Willian Gonçalves


WILLIAN GONÇALVES CARDOSO

Possui graduação em Análise de Sistemas / Sistemas de Informação pela Universidade Salgado de Oliveira Goiás (2004) e especialização em Tecnologia da Informação pela Universidade Salgado de Oliveira Goiás (2005). Atualmente é professor Universitário das Faculdades Alfredo Nasser e INSTRUTOR REGIME HORISTA da SENAC. Tem experiência na área de Ciência da Computação.

Curriculo - Luciana de Castro


LUCIANA DE CASTRO MAGALHÃES

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás (2006) e graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Católica de Goiás (2002). É pós-graduada em Auditoria e Análise Contábil, também pela Universidade Católica de Goiás (2004). É mestre em educação pela Universidade Federal de Goiás e ministram as disciplinas Contabilidade Geral I, II e III e Controladoria para os cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas. Orienta TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, nas linhas de Auditoria, Tributos, Análise de Demonstrações Contábeis e Meio ambiente na Faculdade Araguaia. É professora PEII na Rede Municipal de Ensino, atuando na Educação Infantil.