terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Riqueza da Administração - Frederico Luis

A Riqueza da Administração

Frederico Luis Domingues Bittencourt*

Administrar é inerente ao próprio ato de viver. Todas as pessoas exercitam os métodos e princípios trazidos pelas Teorias da Administração, pois não há quem consiga realizar atividades ao longo de uma vida sem que se utilize de organização, planejamento, direção e controle. Em razão das grandes possibilidades de mercado para o profissional da Administração, essa profissão estabelece-se no cenário profissional e social, afirmando-se cada vez mais como conjunto de atividades fundamentais para a continuidade das organizações e instituições públicas e privadas.
Prova da presença maciça e da necessidade imperiosa da Administração nas relações humanas é que Fayol (1990), um dos pais da teoria administrativa, preconizou que o ensino da administração fosse feito desde as escolas primárias até o ensino superior; defendendo a aplicabilidade desses conhecimentos não somente em empresas, mas na vida.
Essa arte de gerir e conduzir processos, em todas as circunstâncias e áreas, sempre esteve atrelada à existência humana, desde os tempos mais remotos. As pesquisas registram traços da arte de administrar no ano 5.000 a.C., na Suméria. Também existem evidencias do tipo no Egito antigo e, no caso da China de 500 a.C, a necessidade de adotar um sistema organizado de governo para o império com as Regras de Administração Pública de Confúcio exemplificam a tentativa de definir regras e princípios de administração.
Apontam-se, ainda, outras raízes históricas, tais como as instituições otomanas, pela forma como eram administrados seus grandes feudos; os prelados católicos, já na Idade Média, destacando-se como administradores natos; o aparecimento de um grupo de professores e administradores públicos na Alemanha e na Áustria, chamados de fiscalistas ou cameralistas, no período de 1550 a 1700; os mercantilistas ou fisiocratas franceses, que valorizavam a riqueza material e o Estado, pois ao lado das reformas fiscais reivindicavam uma administração sistemática, especialmente no setor público.
O fenômeno que provocou o aparecimento da empresa e da moderna administração ocorreu no final do século XVIII e se estendeu ao longo do século XIX, chegando ao limiar do século XX. Esse fenômeno, que trouxe rápidas e profundas mudanças econômicas, sociais e políticas, chamou-se Revolução Industrial. Foi a revolução das novas fontes energéticas, como o carvão, a eletricidade e os derivados do petróleo. Também foi a revolução de um modelo econômico, de um modo de produção que, ao se constatar a exploração em massa de trabalhadores, marcou também, desde então, uma nova etapa da luta pelos direitos trabalhistas.
A moderna administração surgiu em resposta a duas consequências provocadas pela Revolução Industrial: a) crescimento acelerado e desorganizado das empresas que passaram a exigir uma administração científica capaz de substituir o empirismo e a improvisação; b) necessidade de maior eficiência e produtividade das empresas, para fazer face à intensa concorrência e competição no mercado.
Atualmente, cerca de 3/4 dos cargos de gerência em empresas brasileiras são ocupados por administradores. Mas esse número pode ser maior, na medida em que se torne requisito para a investidura em cargos de gestão pública e privada a exigência do Curso de Administração. A profissão tem se desenvolvido a cada ano, com o crescente reconhecimento da sociedade, ampliando a capacidade de gestão das organizações com a inclusão das novas ferramentas trazidas pela globalização. Nessa busca constante por conhecimento, estratégias criativas e otimização de resultados, a profissão de Administrador completará, em setembro deste ano de 2009, quarenta e quatro anos no Brasil (comemoração consagrada pela Resolução CFA nº 65/1968, onde se estabelece o dia 09 de setembro como Dia do Administrador), confirmando e solidificando a sua importância dentro do mercado brasileiro. Esse marco histórico é balizado com a promulgação da Lei nº 4.769, de 09 de setembro de 1965, que regulamenta a profissão de Administrador no nosso país, também denominada “Lei de Regência da Profissão”, cujo Regulamento foi aprovado pelo Decreto nº. 61.934, de 22 de dezembro de 1967.         Outro ponto importante para a consolidação da profissão diz respeito à formação acadêmica do Administrador, quando em 2005 o Ministério da Educação (MEC) homologou as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Bacharelado em Administração (Resolução CNE/CES nº. 1, de 02/02/2004). Esse fato contribuiu para uniformizar as matrizes ou grades dos cursos de Administração de todo o país, além de garantir critérios bem definidos na busca de uma formação acadêmica com mais qualidade e completude, dado o universo eclético na formação do Administrador. Um exemplo dessa “uniformização” refere-se à nomenclatura do curso, que passou tão-somente a se chamar “curso de Bacharelado em Administração” com o fito de conter a descaracterização dos cursos correlatos à ciência da Administração. O ensino de Administração acompanha o franco desenvolvimento da profissão, prova disso são os cursos de pós-gradução, lato e stricto sensu, e de extensão criados e em fase de estruturação em todo o país.
Além da legislação federal citada acima, o exercício da profissão de Administrador deve seguir os parâmetros e determinações do Código de Ética, atualmente regulamentado pela Resolução CFA nº. 353/2008. O Código de Ética tem a finalidade de prover e orientar o profissional quanto aos seus direitos e deveres, assegurando o compromisso do Administrador aos ditames da moral e do respeito à sociedade. Em caso de descumprimento às normas de ética profissional, a competência para processar e julgar os casos dessa natureza cabe aos Conselhos Regionais e ao Conselho Federal que funcionam, respectivamente, como Tribunais Regionais e Tribunal Superior de Ética.
Os campos de atuação profissional do Administrador perpassam os seguintes nichos (In: Manual do Administrador, 2005, p. 26-28): 01) Administração financeira; 02) Administração de materiais; 03) Administração de Materiais/Logística; 03) Administração Mercadológica/Marketing; 04) Administração da Produção; 05) Administração e Seleção de Pessoal/Recursos Humanos; 06) Relações Industriais; 07) Orçamento; 08) Organização, Sistemas e Métodos e Programas de Trabalho. Além dessa enumeração, existem outros campos ou atividades conexas, tais como administração de consórcio, administração de comércio exterior, administração de cooperativas, administração hospitalar, administração de bens, administração de condomínios, administração de imóveis, administração de processamento de dados/informática, administração rural, administração hoteleira, factoring, holding, serviços de fornecimento e locação de mão-de-obra e, finalmente, turismo. Em toda essa extensa gama de atuação, o Administrador firma laudos, pareceres e relatórios referentes a avaliações, vistorias, assessorias, consultorias, arbitragens, auditorias e perícias judiciais e extrajudiciais; prepara planejamentos, programas, planos, anteprojetos e projetos; faz pesquisas, estudos, análises e interpretação; elabora documentos de caráter técnico que integram processos licitatórios; providencia anúncios publicitários relativos à oferta de trabalhos técnicos de profissionais, em órgão de divulgação ou em qualquer tipo de propaganda, bem como publicações, inclusive em diários e periódicos de divulgação específica ou ordinária; e, ainda, pode redigir livros, monografias, teses, artigos ou outros documentos dessa natureza.
Dessa breve exposição quanto ao campo de atuação do Bacharel em Administração, bem como da evolução da histórica da profissão, evidencia-se o quanto é promissora a carreira, pois esse profissional pode ser absorvido em praticamente todos os segmentos da engrenagem que movimenta a sociedade, o que ainda mais ressalta o caráter imprescindível desse ator no corpo social.

* advogado e professor dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Faculdade Araguaia em Goiânia-Go.




Artigo publicado no dia 29 de agosto de 2009, no Jornal Diário da Manhã.

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